domingo, 21 de agosto de 2011

Muralha

“…Vivia num mundo rodeado de altas e fortes muralhas, intransponíveis para aqueles que não pertenciam ao seu mundo. Sentia-se forte no seu reduto, nada era estranho, sempre as mesmas emoções, sem novos sentimentos, o conhecimento que tinha sobre o seu reduto, dava-lhe a confiança e poder necessário para resplandecer entre aquelas altas e fortes muralhas. O denso nevoeiro camuflava o espaço ao seu redor, conseguia passar incólume no seu meio ambiente, ninguém via as muralhas, mas também o seu horizonte era limitado. Um dia ao acordar, viu que o nevoeiro se dissipara, sendo o seu reduto invadido por um Sol brilhante e quente. Estranhou o que se estava a passar, temeu o calor que sentia, subiu as ameias das muralhas e observou tudo que a sua vista alcançou. Outras altas e fortes muralhas, espalhavam-se pelo horizonte, grandes portões permitiam a entrada e saída de conhecimento, de incertezas, alegrias e tristezas, de novas e estranhas emoções. Durante anos recebeu convites para abrir um portão na sua muralha, sempre o negou. Refugiou-se no seu mundo, viveu com a convicção que assim devia viver. Os anos passaram, enquanto a vida fluía entre mundos, naquele reduto o brilho e o calor do Sol, foram desaparecendo, até que o nevoeiro voltou a envolver aquelas muralhas… “